Parlamentares baianos que votaram pela terceirização fazem parte do grupo político do prefeito de Salvador
A terceirização é um mal que assombra e causa danos ao trabalhador, especialmente no serviço público. Nossa categoria tem sido massacrada ao longo dos anos por esse instrumento de fortalecimento dos ocupantes do poder.
Os gestores preferem se valer da terceirização para inchar a máquina pública e ampliar seus grupos políticos com apadrinhados e cabos eleitorais. Enquanto essa forma danosa vai se perpetuando, os servidores públicos penam sem valorização e com o arrocho promovido pelos governantes
Como se não bastasse, o Congresso Nacional que deveria ser o guardião dos direitos, cede aos encantos desse modelo precarizador e aprova a terceirização para todas as atividades. Uma porta aberta para a farra na coisa pública e o calvário ainda mais sofrível para o trabalhador.
A bancada baiana na Câmara dos Deputados se comportou de acordo com os interesses mostrados desde o golpe do ano passado. Alguns deputados continuaram honrando os seus compromissos com os eleitores e mantiveram posicionamento em defesa do trabalho. Outros apenas demonstraram que suas veias escravocratas pulsaram ainda mais para exterminar direitos conquistados com muita luta.
Conheça quem são os deputados baianos que votaram em favor da maldita terceirização. Saiba que eles fazem parte da bancada federal que apóia o prefeito de Salvador :
Arthur Oliveira Maia – PPS
Benito Gama – PTB
Cacá Leão – PP
Claudio Cajado – DEM
Elmar Nascimento – DEM
João Carlos Bacelar – PR
João Gualberto – PSDB
José Carlos Aleluia – DEM
José Carlos Araújo – PR
José Nunes – PSD
José Rocha – PR
Jutahy Junior – PSDB
Márcio Marinho – PRB
Mário Negromonte Jr. – PP
Paulo Azi – DEM
Paulo Magalhães – PSD
Roberto Britto – PP
Ronaldo Carletto – PP
Sérgio Brito – PSD
Esses nomes devem ser lembrados eternamente como “carrascos” dos direitos dos trabalhadores.
Terceirização: vamos nos mobilizar para enfrentar esse vilão
Terceirização: vamos nos mobilizar para enfrentar esse vilão
Um duro golpe na democracia foi protagonizado por deputados federais na última quarta-feira (08). A aprovação do projeto de lei 4330/2004 é um ferimento mortal na jornada histórica de lutas e conquistas dos trabalhadores.
Com servidor municipal sinto ameaça ainda maior. Esses senhores e senhoras eleitos com o voto do povo, não sentiram qualquer receio de institucionalizar a precarização das nossas funções no serviço público.
Um em cada quatro trabalhadores brasileiros executa serviços terceirizados para outras organizações. De acordo com estimativas do Ministério Público do Trabalho (MPT), são mais de 8 milhões de pessoas que laboram neste cenário. Nós, do serviço público conhecemos esta realidade muito de perto.
Ressalto que os trabalhadores terceirizados fazem parte do elo fraco desta corrente, pois são peças de uma engrenagem exploradora que prefere desrespeitar direitos e enriquecer com a necessidade de sobrevivência de pais e mães, homens e mulheres que precisam estar no mercado de trabalho para garantir o sustento de suas famílias.
A terceirização não é modernidade como aponta o relator do projeto na Câmara dos Deputados, o senhor deputado baiano Arthur Maia, do partido Solidariedade. Esse modo de contratação fere direitos trabalhistas, mesmo na Consolidação das Leis do Trabalho, que data dos anos 40.
Empresas visam redução de custos e lucros e acreditam que reduzir investimentos em pessoal é a alternativa mais eficaz. Ledo engano. Como admitir que salários baixos, riscos de acidentes, jornadas excessivas e demissões em massa possam ser estratégias de otimização de uma organização?
Em meu entendimento quem legitima este tipo de lógica perversa não merece a confiança do trabalhador sob nenhuma circunstância, muito menos no período onde somos cortejados como se nobres fôssemos. Os deputados baianos que foram favoráveis à aprovação do PL 4330/2004 não podem ser escondidos sobre textos que apenas falam da matéria. Apresento-lhes cada um deles para que não sejam esquecidos: Antonio Imbassahy; Arthur Oliveira Maia; Benito Gama; Cacá Leão; Cláudio Cajado; Elmar Nascimento; Erivelton Santana; Félix Mendonça Júnior; Fernando Torres; Irmão Lázaro; João Carlos Bacelar; João Gualberto; José Carlos Aleluia; José Carlos Araújo; José Nunes; Mário Negromonte Jr.; Paulo Azi ; Roberto Britto; Ronaldo Carletto; Sérgio Brito e Tia Eron.
Como sindicalista, fico ainda mais triste em ver o deputado Paulinho da Força – que presidiu por tanto anos, uma central sindical – participando desta solidariedade nociva aos trabalhadores de todo o Brasil. Empresários doadores de campanha desfilando nos gabinetes e exaltando a aprovação do famigerado projeto é uma cena lamentável em todos os aspectos.
Lutar contra este projeto é um dever de todos nós, servidores municipais de Salvador. O terceirizado não é o inimigo a ser enfrentado, pois ele é um trabalhador como nós e em situação ainda mais delicada.
Esse retrocesso que contou com a aprovação de parlamentares baianos não pode continuar e na nossa #campanhasalarial2015, essa bandeira será empunhada por nós, diretores do Sindseps juntamente com os servidores municipais.
Cada dia tenho a certeza de que a mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras deve ser mais intensa, mais firme, mais contundente, pois os “senhores de engenho dos tempos modernos” tramam para nos escravizar. Eles estão nas organizações sociais, nas empresas, nos partidos, na imprensa e até mesmo nos sindicatos.
Faça parte da luta contra o PL4330. Somente a nossa participação consciente vai acabar com essa aberração criada para destruir nossas conquistas.
Everaldo Braga é servidor municipal e coordenador geral do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps)