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Deputados discutem efetivação do piso salarial da enfermagem

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados promove audiência pública nesta terça-feira (18) para discutir a efetivação do piso salarial nacional da enfermagem.

Foram convidados para o evento, entre outros:

  • o secretário-adjunto da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Elton Bernardo Bandeira de Melo;
  • o representante do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) Daniel Menezes;
  • o diretor de relações governamentais da Associação Nacional dos Hospitais Privados (ANAHP), Marco Aurélio Ferreira;
  • o consultor de saúde da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) Denilson Magalhães.

Confira a lista completa de convidados
O debate foi solicitado pelo deputado Bruno Farias (Avante-MG). “No SUS, o grupo de enfermagem é responsável por 60% a 80% das ações na atenção básica e 90% dos processos de saúde em geral, estando presentes em todas as ações desenvolvidas”, diz o deputado.

“A relevância dos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem na promoção, manutenção e recuperação da saúde do povo brasileiro é primordial para que se garanta nosso princípio maior da Constituição Federal, qual seja, a dignidade da pessoa humana.”

A audiência pública será realizada às 9 horas no plenário 7.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Projeto garante mudança do local de trabalho para servidora em situação de violência doméstica

O Projeto de Lei 943/23 garante à servidora pública em situação de violência doméstica e familiar direito de acomodação e remoção em outra unidade, com sigilo nos atos de publicidade oficial.

Em análise na Câmara dos Deputados, o texto inclui a medida na Lei Maria da Penha, que já garante às vítimas de violência doméstica manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de trabalho, por até seis meses. A proposta deixa claro que isso ocorrerá sem prejuízo salarial.

Além disso, prevê que a União, o Distrito Federal, os estados e os municípios criem cursos e cartilhas periódicos para a formação de servidores públicos sobre violência de gênero e órgãos de acolhimento e denúncia.

Outra proposta – A Câmara também analisa uma proposta semelhante. É o Projeto de Lei 3475/19, do Senado, que permite à Justiça determinar a transferência da servidora pública que sofrer violência doméstica ou familiar, garantido o sigilo. Essa proposta aguarda parecer na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. (Agência Câmara de Notícias)

Já o PL 943/23, da Professora Luciene Cavalcante, ainda será encaminhado às comissões da Câmara.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Prefeito de Salvador ajuíza contra greve que não existiu e gasta dinheiro público para intimidar ação sindical

A diretoria do Sindseps recebeu com a estranheza a nota veiculada pela Prefeitura de Salvador, na noite desta quinta-feira (02), que aponta uma determinação judicial em caráter liminar que “suspende a greve dos servidores da saúde da capital baiana”. A entidade alega que não recebeu qualquer tipo de notificação sobre tal determinação da Justiça baiana.

Diferente do propagado pela gestão municipal, os servidores realizaram três dias de assembleias da categoria, onde reinvidicam a reposição inflacionária depois de mais de seis anos sem qualquer reajuste salarial. A mobilização foi informada por meio de ofício à Prefeitura logo após a decisão tomada no encontro setorial realizado no último dia 24 de maio.

Iniciada na última terça-feira (31/05), a movimentação feita pelos servidores da saúde teve término nesta quinta-feira (02) conforme a deliberação da assembleia do dia 24 de maio. “Fizemos uma ação decidida dentro da legalidade prevista na Constituição que garante a liberdade sindical. A Prefeitura foi informada dentro dos trâmites burocráticos devidos e agora usa a Justiça e a imprensa para confundir a sociedade. Ajuizar contra uma greve que não existiu é danoso aos cofres públicos porque foram utilizados recursos públicos para esse objetivo de duvidar da inteligência de nosso povo”, disse o coordenador geral do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps), Helivaldo Alcântara.

Negociação – Segundo o sindicalista, a negociação da Campanha Salarial tem se mostrado infrutífera por conta da intransigência da gestão municipal. “Entregamos nossa pauta da Campanha Salarial no final de fevereiro e desde então, uma negociação arrastada em sem eficácia tem sido protagonizada unilateralmente pela Prefeitura. Eis que em junho, o prefeito aponta quatro por centro de reajuste e coloca o calote do avanço de nível como aumento de salário para servidores ativos e aposentados após mais de seis anos no reajuste zero. A imprensa e o cidadão não merecem ser usados de forma tão estúpida para emplacar uma narrativa sórdida como essa”, afirmou Alcântara.

Diante da inércia negocial que tem acontecido, os servidores municipais exigem que as próximas rodadas de negociações sejam conduzidas pelo prefeito da cidade. “O prefeito tem que assumir a negociação sob pena de sua gestão continuar cometendo gafes como a de hoje, onde ajuizou a greve que não existiu. Nossa cidade merece uma gestão eficiente com o suor do contribuinte”, finalizou Alcântara.

Nota à imprensa: paralisação de 48 horas

Servidores municipais exigem condução de negociação pelo prefeito e anunciam paralisação de 48 horas

As ruas da capital baiana foram palco de mais um dia de mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras da Prefeitura de Salvador. A categoria que segue em plena Campanha Salarial aponta o descaso da gestão municipal diante da pauta apresentada para a data-base do ano de 2022.

Os servidores alegam que estão há mais de oito anos sem qualquer reajuste nos vencimentos. Além disso, reclamam também que o auxílio alimentação tem seu valor congelado há cerca de dez anos. Outro questionamento feito é o modelo de concessão do auxílio transporte modificado pela gestão municipal de forma unilateral.

Para a diretoria do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps), a negociação em curso deveria ser conduzida pelo prefeito da cidade. Segundo o coordenador geral da entidade, Helivaldo Alcântara, o impasse tem sido gerado pela falta de sensibilidade na apresentação da proposta financeira por parte da Secretaria de Gestão em combinação com a Secretaria da Fazenda. “A negociação tem sido feita na frieza de números que somente são negativos quando se fala da valorização do capital humano do Município. A Sefaz [Secretaria da Fazenda] apresenta números fabulosos de uma dinâmica financeira superavitária quando é para fazer publicidade institucional. Se existe superávit, existe condição de valorizar o nosso trabalho. Se não existe esse superávit, alguém mente à cidade e a Secretaria de Gestão segue esse mantra”, disparou Alcântara.

Ainda segundo o sindicalista, qualquer incremento financeiro decorrente da data-base deve também alcançar os aposentados e pensionistas que estão sem qualquer reajuste nos vencimentos neste mesmo período de oito anos. “Nossa data-base é o mês de maio e esperamos que o prefeito assuma a negociação para resolver essa demanda reprimida. Reafirmamos que os aposentados e pensionistas não podem ser preteridos sob qualquer circunstância na negociação”, finalizou.

Paralisações – Após a assembleia desta quarta-feira (04), os servidores decidiram por uma nova paralisação dos serviços por 48 (quarenta e oito) horas a ser iniciada na terça-feira (10). Na quarta-feira (11), a categoria realiza uma assembleia geral na frente do Shopping da Bahia, a partir de 08h.

Tem assembleia geral e muita mobilização nesta quinta-feira (07)

A quinta-feira (07) será de protestos dos trabalhadores da Prefeitura de Salvador que reclamam a falta de cumprimento de acordos e legislações por parte do prefeito da capital baiana. Questionando a inércia negocial e o descaso protagonizados pelo chefe do Executivo municipal, os servidores públicos apontam a falta de condições de trabalho como principal item da pauta de reivindicações da categoria.

Os trabalhadores realizarão assembleia geral e pretendem alinhar estratégias de mobilização para cobrar a responsabilidade do prefeito Bruno Reis em cumprir os dispostos nas diversas legislações inerentes ao serviço público municipal. Segundo o coordenador geral do Sindicato dos Servidores da Prefeitura do Salvador (Sindseps), Helivaldo Alcântara, o gestor tem fugido diante das exigências das leis que correspondem ao trabalho na administração. “Podemos listar o descumprimento da Lei 13022/14 que é o Estatuto Geral das Guardas Municipais, a Lei federal do Piso Salarial dos agentes de saúde, as leis municipais 7867 aprovada em 2010 e a [Lei] 8629 de 2014. Lembramos também que os profissionais que atuam na saúde estão sem tirar folgas ou férias desde o início da pandemia e os aposentados sofrendo com cortes salariais. As condições de trabalho são precárias e estamos literalmente bancando o atendimento ao cidadão nos diversos serviços que fazemos”, afirmou Alcântara.

Outras situações são apontadas como motivantes do protesto que deve tomar as ruas do centro da cidade na manhã desta quinta-feira. O diretor do Sindseps alega que a falta de água para consumo e higiene são situações recorrentes nas unidades de saúde, além da falta de segurança nesses postos de trabalho. “Nas últimas semanas tivemos que seguir em apoio e solidariedade aos colegas em vários postos de saúde. Falta água para higiene em um momento onde lavar as mãos é uma das alternativas para não morrer. Falta segurança mínima para trabalhar salvando vidas e colegas estão sendo vítimas de assaltos, agressões e ameaças. Apontamos também que nas praias, os agentes de salvamento aquático estão sofrendo em condições insalubres e efetivo insuficiente. Situações como essas seriam diminuídas com a convocação de concursados da Guarda Civil Municipal e da Salvamar, mas o prefeito segue perdido como se estivesse sem condições de assumir suas responsabilidades e acusando a pandemia pela falta de capacidade técnica de agir”, disparou o sindicalista.

A assembleia geral acontecerá nesta quinta-feira (07), a partir de 09h, na quadra de esportes do Ginásio dos Bancários, na Ladeira dos Aflitos.

Após descaso da Prefeitura, a Guarda Civil Municipal suspenderá atividades em 1º de setembro

A vacinação contra Covid-19 corre o risco de não acontecer em Salvador e os equipamentos públicos ficarão sem a fiscalização da Guarda Civil Municipal (GCM). Isso porque o Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps) alerta para a paralisação prevista para o próximo dia 1º de setembro. O motivo da mobilização é em virtude das reivindicações da GCM da capital baiana, que segundo seus representantes do sindicato a Prefeitura Municipal de Salvador (PMS) não tem demonstrado interesse em atender os pleitos apresentados.

A versão da PMS é que a Secretaria Municipal de Gestão tem mantido diálogo constante com os guardas municipais, especialmente, para a implantação do plano de cargos e vencimentos, mas essa informação é negada pelos profissionais que alegam que a paralisação será algo inevitável. O Sindseps informa que ocorrerão outras Assembleias Setoriais e que nestas datas os guardas civis municipais não trabalharão, a exemplo do ocorrido no último dia 25 quando não houve expediente durante a mobilização dos servidores.

A gestão do prefeito de Salvador, Bruno Reis, terá que contornar essa herança maldita do seu antecessor, o ex-prefeito ACM Neto. A GCM está insatisfeita com a falta de atenção da administração municipal com a categoria. Os principais pontos de descontentamento são os cinco anos de descumprimento da Lei Federal Nº 13.022/2014, o Plano de Carreira dos profissionais e a convocação dos aprovados no último concurso.

O Sindseps ressalta que todos os órgãos oficiais envolvidos no referido contexto já foram notificados por meio de ofício antecipadamente. A instituição destaca que o tratamento dado pela gestão Bruno Reis tem sido desrespeitoso e que isso conduzirá para uma mobilização muito maior e com grande comprometimento das atividades desenvolvidas. O sindicato considera a falta de diálogo e avanços efetivos nas pautas apresentadas junto a PMS um desgaste constante entre a GCM e a atual gestão da Prefeitura de Salvador.

Nota enviada à Rede Bahia de Televisão – Bahia Meio Dia

Em relação ao questionamento à diretoria do Sindicato do Servidores da Prefeitura de Salvador acerca da paralisação dos guardas civis municipais, enviamos resposta que segue:

A Lei 13.022/14 dispõe sobre o Estatuto Geral das Guardas Municipais. Este texto institui normas gerais para as guardas civis municipais em todo o Brasil, disciplinando o § 8º do art. 144 da Constituição Federal. No Capítulo IV que trata da criação, no artigo 7º III estabelece que o efetivo da capital baiana deve ser de 0,2% (dois décimos por cento) da população, por se tratar de municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, desde que o efetivo não seja inferior ao disposto no inciso II que preza por 0,3% (três décimos por cento) da população, em cidades com mais de 50.000 (cinquenta mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes

No artigo 9º, o texto exige que a Guarda Municipal seja formada por servidores públicos integrantes de carreira única e plano de cargos e salários, conforme disposto em lei municipal. No artigo 22 obriga que a aplicação desta Lei para todas as guardas municipais existentes na data de sua publicação, a cujas disposições devem adaptar-se no prazo de 02 (dois) anos, a contar de 08 de agosto de 2014.

A nota enviada pela Prefeitura de Salvador e repercutida durante o Bahia Meio Dia – edição do dia 25/08/2021 – aponta que existem negociações acerca da implantação do Plano de Cargos da Guarda Civil Municipal (GCMS). A apresentadora Jéssica Senra questionava se diante deste exposto, a paralisação estaria mantida. Neste caso, o que a gestão municipal considera como “negociação” é um hiato negocial diante do texto produzido por uma comissão formada por gestores da GCMS e representantes dos trabalhadores. O lastro temporal completou cinco anos desde o prazo final previsto na Lei 13022/14 e não há justificativa para a inércia recorrente em claro flagrante de descumprimento do que exige a legislação federal.

O que os trabalhadores pretendem é fazer com que a Prefeitura de Salvador cumpra o disposto na Lei. O Chefe do Executivo simplesmente não pode deixar de cumprir uma legislação, seja ela nacional, estadual ou municipal e se assim procede, o gestor estaria ferindo o princípio da legalidade que é diretriz da Administração Pública. O Decreto 201/1967 estabelece no artigo 1º, XIV que “são crimes de responsabilidade dos Prefeitos Municipal, sujeitos ao julgamento do Poder Judiciário, independentemente do pronunciamento da Câmara dos Vereadores: Negar execução a lei federal, estadual ou municipal, ou deixar de cumprir ordem judicial, sem dar o motivo da recusa ou da impossibilidade, por escrito, à autoridade competente.

Diante do exposto, mantém-se a determinação soberana da assembleia da categoria para paralisar serviços, na próxima quarta-feira (01/09), com a realização de novo ato de protesto, a partir de 07h, na frente da sede da GCMS, na Avenida San Martin.

Prefeito descumpre lei e guardas civis municipais podem declarar greve em Salvador. Início da vacinação pode ser afetado

Guardas civis municipais realizaram caminhada de protesto nos arredores da Avenida San Martin, na manhã de quarta-feira (25). Reunidos em assembleia setorial, os colegas da GCMS protestaram contra a negativa da Prefeitura de Salvador em implantar o Plano de Cargos previsto na Lei 13022/14 – Estatuto Geral das Guardas Civis Municipais. O atraso de cinco anos após o prazo final observado na legislação federal comprova o flagrante descumprimento por parte da gestão municipal.

A forte presença dos colegas guardas civis na assembleia setorial atendeu ao chamado feito pelo Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador – Sindseps junto à categoria. Segundo o diretor Bruno Carianha, a participação deverá aumentar na próxima ação promovida pela entidade. “Faremos outra assembleia e será um momento crucial para demonstração de nossa atitude. Tenho certeza de que conseguiremos reunir o dobro do quantitativo que tivemos hoje. Vamos buscar cada colega em seu posto de trabalho para que esteja conosco e reafirme nosso potencial de luta. A gestão municipal verá do que somos capazes para defender o Plano de Carreira”, afirmou Carianha.

Novos concursados – Durante a caminhada feita em direção ao Largo do Retiro, os colegas que lograram êxito no último concurso também demonstram a mobilização do grupo. Aguardando a convocação por parte da Prefeitura, os concursados já fizeram todos os procedimentos admissionais e permanecem na angustiante espera. “Hoje mantivemos a assembleia do lado de fora da sede em respeito aos nossos futuros colegas. A luta deles é nossa também porque já estivemos nesse estágio e sabemos a batalha que estão enfrentando. Estamos extremamente felizes por tê-los conosco e sabedores dos desafios que também enfrentarão. Vamos juntos e conseguiremos a convocação de todos eles, pois a cidade precisa e a Lei 13022/14 exige isso”, apontou o diretor do Sindseps, Alex Almeida.

Indignação – Uma situação que causou indignação foi a alegação da gestão municipal à imprensa sobre a implantação do Plano de Carreira. Segundo o diretor do Sindseps, Marcelo Rocha – que integra a comissão de estudos do Plano de Carreira -, a Prefeitura não tem cumprido a sua obrigação perante a Lei. “Temos produzido trabalhos há anos de forma dedicada como representantes dos trabalhadores. Doamos nossos tempos e capacidades para esse objetivo. Não há como admitir que passados cinco anos após o prazo final estipulado pela lei, o argumento levado à sociedade seja de que existe um grupo de trabalho para o tema. Chega a ser leviano com a população e o prefeito não deveria usar a imprensa para enganar o cidadão que precisa de nossos trabalhos todos os dias”, declarou Rocha.

Indicativo de greve – Na próxima quarta-feira (01/09), a partir de 07h, os guardas civis municipais realizarão nova assembleia com serviços paralisados por 24 (vinte e quatro horas), na frente da sede da Guarda Civil Municipal de Salvador, na Avenida San Martin. Na oportunidade, os trabalhadores e trabalhadoras podem deflagrar uma greve como forma de mover a gestão municipal do que consideram como preguiça negocial em relação à implantação do Plano de Carreira e convocação dos novos concursados. “Será um dia de paralisação. Não será novidade se uma greve for definida. A vontade coletiva dos colegas será soberana diante do descaso da gestão municipal e buscaremos todos os meios de contar a verdade para o cidadão soteropolitano. A Prefeitura descumpre a lei, exige esforços desumanos de todos nós e mente para a população. Isso tem que acabar. Pedimos antecipadas desculpas aos cidadãos, principalmente por conta da chegada da vacina contra a covid nos postos e a operação de proteção nos pontos de ônibus”, disse o diretor do Sindseps, André Pureza ao final da assembleia.

Pandemia de coronavírus evidencia ‘velhofobia’ no Brasil, diz antropóloga

A pandemia de coronavírus que se alastrou pelo mundo e chegou ao Brasil evidenciou a ‘velhofobia’ de parte da população, para a qual os idosos são considerados um peso para a sociedade.

A opinião é da antropóloga e escritora Mirian Goldenberg, professora titular do Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em entrevista por telefone à BBC News Brasil, Goldenberg, que pesquisa envelhecimento há 20 anos, diz que “estamos assistindo horrorizados a discursos sórdidos, recheados de estigmas, preconceitos e violências contra os mais velhos”.

Segundo ela, esse tipo de discurso, que chama de “velhofóbico”, sempre existiu, mas ficou mais evidente com o coronavírus. Os idosos são considerados grupo de risco para a doença.

“Esse tipo de discurso já existia antes da pandemia: os velhos são considerados inúteis, desnecessários e invisíveis. Mas agora está mais evidente. Políticos, empresários e até o presidente da República já vieram a público dar declarações ‘velhofóbicas’”, diz Goldenberg (em março, o presidente Jair Bolsonaro chegou a defender apenas o isolamento da população idosa, e em vez de da população em geral).

“Homens e mulheres mais velhos, que já experimentam uma espécie de ‘morte simbólica’, ficam desesperados ao constatar que são considerados um peso para a sociedade”, acrescenta Goldenberg, que diz ainda que “muitos dos que disseminam o discurso de ódio e de extermínio dos mais velhos já passaram dos 60 anos”.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil – ra diz que a pandemia tornou evidente a ‘velhofobia’. Mas o que é exatamente essa velhofobia?

Mirian Goldenberg – Me refiro ao termo ‘velhofobia’ para descrever não só os preconceitos, estigmas e tabus associados ao envelhecimento, mas também o pânico de envelhecer que, no Brasil, é muito mais forte do que na Europa, por exemplo. Outros especialistas usam denominações diferentes, como ageísmo, idadismo ou gerontofobia. Mas eu prefiro velhofobia porque todo mundo entende do que estou falando.

O que temos visto nesta pandemia são discursos que chamo de velhofóbicos se generalizando. Políticos, empresários e até o presidente da República já disseram que ‘não se pode deixar a economia parar’ e que os jovens ‘têm que voltar a trabalhar’. Ou até que os velhos vão morrer ‘mais cedo ou mais tarde’.

Estamos assistindo horrorizados a discursos sórdidos, recheados de estigmas, preconceitos e violências contra os mais velhos.

BBC News Brasil – Mas esse preconceito contra os idosos já não existia?

Goldenberg – Sim. Mas não de forma tão explícita. Os velhos sempre foram vistos como um peso para a sociedade, ou seja, já experimentam o que chamo de ‘morte simbólica’. O valor que se dá a essas pessoas mais velhas é quase nulo, socialmente e dentro de casa.

Ocorre que, agora, isso ficou mais evidente.

Temos visto isso não só nos discursos de que os velhos devem morrer para a epidemia acabar logo mas também em memes zombando deles, dizendo que eles são teimosos e desobedientes, como se fossem crianças malcomportadas.

BBC News Brasil – Mas por que a ‘velhofobia’ ficou mais evidente, na sua opinião?

Goldenberg – O preconceito sempre existiu, mas numa situação em que os velhos não estavam tão vulneráveis.

Agora, estão fragilizados de duas formas: de um lado, são a população de maior risco. De outro, perderam seu bem mais precioso: a liberdade de ir e vir.

Antes, podiam ir ao supermercado, à farmácia, dar a volta na praça, frequentar o teatro, o cinema, encontrar com os amigos.

Mas já não podem mais. Estão em uma prisão que não tem data nem hora para terminar.

Há cinco anos, venho acompanhando o dia a dia de homens e mulheres de 90 a 103 anos. Todos lúcidos, ativos e saudáveis. Eles estão desesperados. Têm dificuldade para compreender uma realidade que não fazia parte da vida deles antes do isolamento.

Além de tudo isso, precisam enfrentar todo esse discurso de ódio. Imagine ligar a TV e escutar pessoas que pregam a sua morte 24 horas por dia.

BBC News Brasil – Qual tipo de abordagem a ra acha que deveria ser a mais correta?

Goldenberg – Tenho tentado fazer as pessoas escutarem os mais velhos. Esse é meu propósito desde que começou essa pandemia. Não dá para ficar dando ordem. Precisamos compreender a a realidade deles e juntos com eles encontrar alternativas para amenizar essa situação, de forma que eles não vivam como se estivessem numa prisão.

Isso seria uma morte antecipada para eles.

Ligue para eles, faça atividades junto com eles. Faça com que eles se sintam vivos, úteis, amados, cuidados.

E que eles também possam cuidar da gente.

Quando meu melhor amigo, Guedes (de 97 anos), me liga desesperado, alarmado sobre a quantidade de caixões na Itália, eu lhe digo: ‘Você não pode fazer nada por quem está lá, mas cuide de mim aqui’. E ele se sente importante. Não estou dando ordem. É ele quem está tomando uma decisão de cuidar de si mesmo, de mim e de outras pessoas.

Meu maior temor é como os idosos vão sobreviver emocionalmente durante esta pandemia. Essa é a maior angústia deles.

Por fim, temos que entender que os velhos não são um fardo para a sociedade. Conheço inúmeros casos de velhos cujo filho é alcoólatra, a filha está com câncer, o neto tem depressão. E são eles que cuidam deles, não só financeiramente.

BBC News Brasil – A ra diz que “muitos dos que disseminam o discurso de ódio e de extermínio dos mais velhos já passaram dos 60 anos”. Por quê?

Goldenberg – É urgente que todos aprendam uma lição importante: a única categoria social que une todo mundo é ser velho. A criança e o jovem de hoje serão os velhos de amanhã. Os velhofóbicos estão construindo o seu próprio destino como velhos, e também o destino dos seus filhos e netos: os velhos de amanhã.

Ou seja, muitas dessas pessoas não se enxergam como velhos. A velhice é associada à imobilidade, à doença, à incapacidade, à inutilidade. Por isso ninguém se reconhece como velho, nem os próprios velhos.

BBC News Brasil – A ra acha que esse sentimento é potencializado no Brasil?

Goldenberg – Sem dúvida. Aqui no Brasil sempre fomos a cultura da juventude, do corpo jovem. O corpo considerado belo e saudável sempre está associado à juventude.

O brasileiro fica “velho” mais cedo. Na Alemanha, uma pessoa de 60 anos vai de bicicleta para o trabalho e fala de projetos. A idade não é importante.

Aqui, aos 30 anos, já estamos falando de velhice. Todos têm pânico de envelhecer. Não é à toa que o Brasil está entre os países com maior número de cirurgias plásticas.

Esse pânico não é só físico, mas também simbólico. Perdemos valor para a sociedade ao envelhecermos. Tanto valor que nos tornamos descartáveis. Que podemos morrer para “salvar a economia”.

É disso quando falo que a pandemia deixou a velhofobia mais evidente.

BBC News Brasil – Essa velhofobia de que a ra fala põe em xeque a suposta crença de que o brasileiro seria mais benevolente com o idoso? Se na Europa, ele é colocado em um asilo, no Brasil, ele é trazido para dentro de casa…

Goldenberg – Deixe-me corrigi-lo. São os filhos – e às vezes os netos – que vão para a casa do idoso no Brasil. Não o contrário. Quantos idosos se tornaram chefes de família no Brasil com sua aposentadoria? Eles bancam os filhos e netos. Vemos isso em todas as classes sociais, inclusive nas comunidades carentes.

O maior índice de violência contra o idoso está dentro de casa. Mais da metade das agressões (agressão física, verbal, psicológica e financeira) é feita por filhos e netos.

Portanto, desconheço essa suposta benevolência. A violência contra o idoso está fora e dentro de casa. E está dentro de casa porque a casa é dele, na maioria das vezes.

Imagine o que deve estar acontecendo dentro de muitas casas nessa pandemia. Certamente, veremos um aumento da violência contra o idoso.

BBC News Brasil – Qual a lição a ra aprendeu ao longo destes anos pesquisando idosos?

Goldenberg – O amor que eles têm pela vida. Tudo o que eles fizeram e ainda fazem para se manter saudáveis e lúcidos faz com que a vida deles tenha mais valor.

Não importa se vai ser mais um dois ou três anos. Mas eles têm uma gana de viver pela vida que ninguém tem.

E uma imensa gratidão por estarem vivos. É triste, portanto, ver como eles vêm sendo tratados nesta pandemia.

Reprodução BBC Brasil

Itapuã: trabalhadores e populares correm risco em unidade de saúde do bairro

Medo, insegurança e o temor de contágio pelo coronavírus. A cena se repete em mais uma unidade de saúde da capital baiana. Desta vez, o risco potencial está na Unidade Básica de Saúde (UBS) Professor José Mariane, conhecido como 7° Centro, no bairro de Itapuã.

Além da falta de equipamentos de proteção individual (EPI’s) adequados para a proteção diante de uma doença de altíssima letalidade, os servidores municipais reclamam da exposição a que estão sendo submetidos em locais possivelmente contaminados. Alegando que uma colega teria testado positivamente para o novo coronavírus, trabalhadores da UBS Professor José Mariane exigem testagem pessoal e descontaminação das instalações.

Motivados pela falta de acolhimento das queixas por parte da gestão municipal, os trabalhadores da UBS reuniram-se na manhã desta quarta-feira (22) para buscar alternativas de proteção individual e coletiva, visto que fora estabelecida exigência de manter o atendimento aos usuários da unidade.

“O risco de contágio é latente. Precisamos ter a segurança sanitária de que as unidades de saúde não estejam sendo colônias contaminantes. O atendimento em saúde na pandemia deve ser baseado em protocolos rigorosos e qualquer ameaça biológica deve ser investigada para que trabalhadores e população não sejam vítimas. Isso é biossegurança e somente um esforço conjunto pode enfrentar esse inimigo letal”, disse o coordenador geral do Sindicato dos Servidores da Prefeitura (Sindseps), Bruno Carianha, ao comentar a situação das unidades de saúde da capital baiana.

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