“Vocês não trabalham e se depender de mim não terão salário!”. Foi assim que o governador baiano Jaques Wagner (PT) reagiu aos protestos de professores que estavam acompanhados de estudantes que apoiavam a manifestação dos trabalhadores que aconteceu na última quarta-feira (27), na cidade de Campo Formoso.
Wagner chamou os professores de “covardes” e ainda rechaçou os gritos de protestos dos jovens estudantes de maneira incisiva: “Se você não ouvir, você não vai entender querida. Se você só quer gritar a sua verdade, aí você não vai se educar nunca. Se você não quer ouvir, você não vai conseguir”, disparou irritado.
E o ex-sindicalista e agora gestor público eleito com o voto popular dos trabalhadores continuou reagindo às intensas vaias oriundas da platéia que outrora costumava aplaudi-lo para o seu deleite: “Não pensem que vocês me intimidam usando a garotada para ser escudo da covardia de vocês. Sou pai, sou avô, sou sindicalista e sei da covardia de vocês que se escondem atrás dos alunos pra poder reivindicar salário”, afirmou Wagner.
“Os tempos democráticos tão alardeados pelo governador se foram, e na primeira força de reação do trabalhador, o governador que teve sua vida política forjada no movimento sindical, hoje combate com raiva e destila repulsa ao direito de greve que é a arma mais legítima de luta dos trabalhadores. Essa postura é uma demonstração de que ainda viveremos por mais tempo, a frustração de confiar que dias melhores viriam para o servidor público. A esperança parece que vai ser natimorta mais uma vez”, afirmou o coordenador geral do Sindseps Jeiel Soares.
Soares diz ainda que o servidor municipal de Salvador deve manter-se atento, pois essas atitudes reacionárias também são ofertadas pelos ocupantes do Palácio Thomé de Souza. “Os companheiros e companheiras que labutam no serviço municipal devem continuar vigilantes, e manter mobilização constante para que não sejamos ultrajados em nenhum momento por aqueles que agora repudiam a sua própria história”, concluiu.
Assista ao vídeo onde o ex-sindicalista e governador da Bahia critica duramente a luta legítima do trabalhador: