Há algo de podre no reino da Praça Thomé de Souza. A tragédia de Hamlet bem que poderia ser contada nos últimos dias da política soteropolitana. Dias depois do secretário municipal de Gestão, Alexandre Paupério estampar as páginas de jornais e websites por conta de uma denúncia de desvios de recursos públicos oriundos de convênios na Secretaria de Educação, agora, o prefeito da capital baiana vê outro nomeado pela sua confiança, preso por roubar os cofres municipais.
O gestor do Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS), Thiago Santos Lima é acusado de desviar dinheiro que seria destinado para vítimas das chuvas na cidade. O esquema desmantelado pela Polícia Civil coloca abre uma discussão sobre idoneidade na gestão municipal. Contrariando o argumento utilizado pelo prefeito e seus apadrinhados de que foram indicados por critérios técnicos, dois integrantes do alto escalão e gerenciadores de altos valores são acusados por conduta criminosa prevista no Código Penal.
Semelhanças malditas são observadas entre os dois gestores e que agravam as denúncias que estão bombardeando o Palácio Thomé de Souza. Os dois são ocupantes de cargos de confiança estrita do prefeito e por ele foram trazidos ao governo municipal. Até que seja provado contrário, tanto o titular da Semge quanto o gestor do FMAS gozam da amizade e do prestígio junto ao alcaide. A prova de que muito mais ainda há de aparecer na podridão que tem sido provada por documentos produzidos pelo Ministério Público da Bahia (MP/BA) e pela Polícia Civil.
A luta do Sindseps sempre foi para que os cargos de comissão fossem ocupados por servidores concursados e comprometidos com a municipalidade. Trabalhadores e trabalhadoras honrados e protetores dos cofres públicos. O zelo com a coisa pública oferecido pelos estatutários é algo natural. A terceirização e o apadrinhamento estão roubando o sangue e o suor do contribuinte.
A diretoria do sindicato afirma que acompanhará a investigação policial e cobrará que a Justiça exija a devolução do dinheiro roubado no esquema protagonizado pelo apadrinhado do prefeito no FMAS, que foi nomeado e depois terceirizado para conduzir seu intento criminoso. Da mesma forma, ressaltamos que continuaremos ao lado do Ministério Público para que a ação ajuizada pelo órgão seja eficaz e possa punir quem desviou mais de R$ 40 mi da Secretaria de Educação em convênios inúteis e que certamente devem ter rendido ainda mais para o grupo fraudador. Os dois casos tem algo em comum: os acusados tiraram dinheiro de quem mais precisava: desabrigados e crianças. Uma prova inequívoca da maldade e da demoníaca forma de fazer política de um grupo que não tem sensibilidade para o ser humano.
Há algo de podre no reino do Palácio Thomé de Souza e nós vamos descobrir.