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Ninguém larga a mão de ninguém para salvar todas

Comemoramos o Dia Internacional da Mulher de maneira entusiasmada porque alguns marcos são importantes para determinadas lutas não sejam esquecidas ou mesmo que não deixemos de nos posicionar nas trincheiras. Dados de fevereiro de 2019 publicados pela BBC Brasil mostram que nos últimos 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento em nosso país, enquanto 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio. Dentro de casa, a situação não foi necessariamente melhor. Entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. Após sofrer uma violência, mais da metade das mulheres (52%) não denunciou o agressor ou procurou ajuda.

Esses dados de um levantamento do Datafolha feito em fevereiro deste anos encomendado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontam uma ação letal contra as mulheres no Brasil. Estamos sendo vítimas de um processo ainda mais violento com requintes de crueldade do machismo que sempre imperou no seio de nossa sociedade patriarcal. A imprensa noticia diversos casos todos os dias e o vermelho sangue colore a tela. Os desaparecimentos, surras, estupros e a morte rondam nossos lares, trabalho e até mesmo, o ir e vir nas ruas. Não tem um espaço onde a mulher efetivamente esteja segura.

Existe um lastro jurídico com a Lei Maria da Penha, a alteração na lei do estupro, a lei do feminicídio, a de importunação sexual, são todas bem embasadas e textualmente protetivas, mas a a letra fria da Lei somente não resolve o problema. Não há como não ressaltar: uma cultura do poderio macho hetero está enraizada na sociedade de natureza patriarcal que reduz a figura da mulher a um objeto, propriedade, corpo para satisfazer necessidades sexuais. Se isso não mudar, a violência se perpetuará e vai nos matar todos os dias.

A dor é de todas, mas a mulher negra e pobre; a mulher trans; a mulher gorda, a mulher lésbica; a travesti; a bissexual assumida são vítimas em potencial do racismo, do preconceito, da homofobia e da transfobia. Até mesmo quando temos um relacionamento amoroso somos relegadas a meros objetos do sexo que não são expostos como parceiros ou cônjuges. O sofrimento tambem chega na alma e dói ainda mais.

De certo que não deixaremos de lutar pelo nosso direito à vida que é pertinente ao ser humano. Sim, todas as violências às vezes nos fazem acreditar que somos invisibilizadas e que nem mesmo podemos considerar nossa existência. Apesar disso existem heroínas que não nos deixarão morrer e não vamos soltar as mãos delas. Essa mulher é você que vai me proteger e ajudar que eu proteja outra mulher indefesa que vai se fortalecer e juntas defenderemos todas nós. Somos Frida, somos Maria da Penha, somos Zuzu Angel, somos Marielle, somos Iana, somos Adejailda, somos Edleusa, somos Jacildes, somos Edna, somos mulheres e ninguém larga a mão de ninguém.

Iana Melo é diretora do Sindseps

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Um comentário

  1. Bom dia Iana, bom dia mulheres Sindseps.
    Amei o artigo!
    Que esse dia seja muito mais que um simples dia da mulher, que ele seja o despertar da consciência do valor e do poder temos quanto mulher nessa sociedade machista.

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